Ex-alunos exaltam judô competitivo e cidadão de Uichiro Umakakeba

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Ex-alunos exaltam judô competitivo e cidadão de Uichiro Umakakeba

Três dos 50 participantes do 1º Encontro de Atletas e Ex-Atletas da Associação de Judô de Bastos entrevistados pela Tribuna, reconheceram que a experiência que tiveram sob os ensinamentos do professor Uichiro Umakakeba foi decisiva não só em sua trajetória vitoriosa no judô, mas principalmente na formação como cidadãos e no sucesso profissional. Frases proferidas por esses ex-alunos, como “academia de judô de Bastos, sob o comando de Umakakeba, é a essência do judô nacional” e “o judô de Bastos é uma escola para a vida”, dão a dimensão exata da importância que a Associação de Judô local teve para esses ex-pupilos do sensei Umakakeba tem para os atuais judocas, além de ajudar a explicar por que a é considerada em todo o país referência na formação de atletas.

O ortopedista Luiz Carlos Lopes Ferreira Júnior, 31 anos, cirurgião da Santa Casa de Santos, foi um dos integrantes do Projeto Bastos em 1996, quando tinha 16 anos. Até hoje a academia, por meio desse projeto, acolhe e treina judocas provenientes de cidades de diversos estados. “Por indicação de amigos, deixei Campo Grande, onde nasci e meus pais residem, com o objetivo de treinar em Bastos e crescer como atleta”, recapitula. Os resultados para ele vieram logo. “Essa oportunidade foi um divisor de águas na minha carreira de judoca, que iniciei aos 11 anos. Antes, não tinha nenhum resultado expressivo em meu currículo. O treinamento com sensei Umakakeba superou minhas expectativas, sendo determinante para que em uma só temporada, em 1997, eu conquistasse os títulos de campeão estadual juvenil e júnior”, reconhece. No ano seguinte Luiz Carlos deixou a modalidade para se dedicar aos estudos. Mas a gratidão do ex-judoca ao professor e à sua passagem pelo judô bastense transcende os limites do tatame. “Aqui aprendemos a ter disciplina e pontualidade, o respeito à hierarquia, às pessoas e, especialmente, aos mais velhos. São preceitos que transporto para todas as minhas atividades, sobretudo para a medicina, e procuro passar não só aos residentes que oriento no hospital como também ao meu filho”, frisou o médico, que é casado com Carine e pai de Caio, 3 anos.

Alicerce

Natural de Três Lagoas, cidade do Mato Grosso do Sul na divisa com São Paulo, e “bastense de coração”, o comerciante Harry de Oliveira Santos, 41 anos, mudou-se com a família para Bastos quando tinha 3 anos, ingressou no judô aos 8, em 1978, e defendeu a academia local até 1989, ano em que seguiu para São Bernardo do Campo para prosseguir com os estudos. Continuou na modalidade nos anos subseqüentes, defendendo academias sediadas em centros maiores. Na sua avaliação, “Bastos se sobressai no judô por ser uma cidade pequena, mas com muitos campeões de expressão nacional e internacional”. Ele próprio faz parte do grande grupo de judocas formados na academia local que conquistaram resultados expressivos. Entre seus principais títulos destacam-se o de bi-campeão brasileiro e paulista, além de vice no Sul-Brasileiro. Harry afirma que “se Bastos é uma escola de judô reconhecida em nível nacional”, essa deferência tem nome: Uichiro Umakakeba. “O sensei sempre se inspirou no sistema de treinamento japonês, que é intenso e contempla a determinação, a disciplina. Além disso, aprendemos a ter respeito às diferentes culturas. O judô nos auxiliou ainda na socialização. É esse conjunto de ensinamentos que explica os resultados”, testemunha. Ele também destaca que, mesmo fora dos tatames há muitos anos, até hoje aplica todo o aprendizado adquirido em seu tempo de academia. “O judô de Bastos é uma escola para a vida. Aproveitarmos seus ensinamentos como alicerce nos ajuda a ter êxito nos planos pessoal, familiar e profissional”, enfatiza Harry, que é comerciante em São Carlos.

Essência

Natural de Varginha, onde nasceu, reside e trabalha até hoje, Lucas Correa Reis, 37 anos, fez do judô sua carreira profissional e confessa que se inspirou em Uichiro Umakakeba e Norio Shukuri, que foi seu professor na cidade mineira. Lucas, que iniciou no judô aos 6 anos, foi aluno do Projeto Bastos entre os 15 e 16 anos de idade, em 1990 e 1991, exatamente o período que marcou a mudança da antiga sede da Associação de Judô de Bastos, na Praça Senjiro Hatanaka, para o imponente prédio do Centro de Treinamento de Judô Edison Motoharu Yoshikawa. Ele frisa que veio em busca do aprimoramento físico e técnico, por recomendação de seu então professor em Varginha, Norio Shukuri, que atualmente reside em Manaus e foi colega de treinamento de Umakakeba na academia de Chiaki Ishi, em São Paulo. “Hoje entendo porque o sensei Umakakeba era tão rigoroso. No Projeto Bastos, os pais deixavam exclusivamente em suas mãos seus filhos adolescentes, muitos de cidades distantes. Por isso sua responsabilidade era muito grande”, reconhece. Lucas lembra que ao retornar a Varginha, depois de dois anos de treinamento em Bastos, passou a ter vaga cativa na seleção de Minas Gerais e conquistou medalhas de prata ou bronze em todos os campeonatos brasileiros que disputou. Bastos lhe proporcionou ainda uma rara oportunidade. “Por meio da igreja Tenrikio local, consegui o visto para treinar durante três meses em Tenri, província de Nara, no Japão, a mesma rota anteriormente percorrida por quatro bastenses”. Em sua temporada no Japão, atestou que o treinamento ministrado por Uichiro Umakakeba era muito semelhante ao japonês. “A academia de Bastos, sob o comando de Umakakeba, é a essência do judô nacional, justamente porque o sensei baseia-se na doutrina japonesa, que prega o espírito de competitividade, a determinação, a superação, a disciplina, o respeito ao próximo e à hierarquia”, enaltece. “São preceitos que devemos aplicar em todas as áreas de atividade” Defende ainda que “após os pais, é nos professores que as crianças e adolescentes, que estão em fase de formação do caráter, se espelham”, e continua: “Levo comigo o precioso legado dos sensei s Umakakeba e Shukuri e procuro transmiti- lo aos meus alunos”. Formado em educação física e recém casado com Gisele, Lucas é hoje professor de judô em um projeto social da Prefeitura de Varginha.

Do Jornal Tribuna

 

 

publicado em 16/02/2012 às 14h54

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